Esclerose múltipla não é mais uma sentença de morte

Com diagnóstico precoce e tratamento multidisciplinar, pacientes conseguem levar vida mais tranquila com doença que ataca o sistema nervoso central. Ela é a principal causa de incapacidade em pessoas com menos de 50 anos em todo o mundo.

Esclerose múltipla não é mais uma sentença de morte Crédito: CBN

Por Julia Arraes

A aposentada Márcia Bonilha convive com a esclerose múltipla há mais de 20 anos. O diagnóstico da doença foi doloroso, mas ao longo dos anos, ela transformou uma inimiga na principal aliada.

O sistema nervoso central de quem tem esclerose múltipla é repleto de cicatrizes. É como se os fios que transmitem os impulsos nervosos ficasse desencapados, com falhas na camada externa, chamada de mielina.

Diferentemente de um AVC ou um derrame, na esclerose múltipla, a agressão à mielina acontece aos poucos, durante os surtos. Por isso, a doença é progressiva.

Com os impulsos interrompidos temporariamente, a doença provoca principalmente tremores, dificuldades para andar, problemas de visão, na falar e até paralisia.

Apesar de não ser mais uma sentença de morte, a doença ainda deixa suas marcas: 50% dos pacientes vão precisar de uma bengala para andar, depois de 15 a 20 anos do primeiro sintoma.

A advogada Daniela Fernandes demorou dois anos e meio para ser diagnosticada com esclerose múltipla. Ela tinha 33 anos e sentia muita fraqueza nas pernas. Foram muitas consultas e exames, até encontrar as primeiras respostas.

Há dez meses, aos 42 anos, ela se aposentou por invalidez a contra gosto, pois não conseguiu mais flexibilidade nos horários do trabalho. Por outro lado, Daniela não deixou de realizar sonhos.

Como outras doenças autoimunes, a esclerose múltipla precisa mais do que alguns medicamentos. Principalmente por atacar vários órgãos e partes do corpo, a presença de uma equipe multidisciplinar é mais do que uma simples recomendação.

Além disso, segundo psicologia e enfermaria Ana Maria Cansoniere, muitas vezes é importante que a família e amigos também façam parte do tratamento. Autoconhecimento e informação foram os elementos fundamentais para Glauce da Rocha, de 45 anos, conseguisse romper os próprios preconceitos.

Fonte: Rádio CBN