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Remédio à base de maconha será comercializado no Brasil

À base de cannabis sativa, o remédio ganhou registro da Anvisa no Brasil. Ele é indicado para pacientes com esclerose múltipla.

Pela primeira vez, vai ser vendido no Brasil um remédio feito com substâncias derivadas da maconha. O medicamento é indicado para pacientes com esclerose múltipla.

A falta de força e o tremor no lado esquerdo do corpo são os sinas mais visíveis da esclerose múltipla, doença com a qual a Raquel Leal convive há nove anos: “É incerteza, né? Cada dia é um dia diferente. Hoje eu posso estar aqui, amanhã eu já posso estar sem ver, sem andar, então é complicado”.

O anúncio de que o primeiro remédio à base de cannabis sativa, a planta da maconha, ganhou registro da Anvisa no Brasil e pode começar a ser vendido nas farmácias é uma esperança para pacientes como Raquel, que sofrem com os sintomas da esclerose, doença que provoca lesões no cérebro e na medula. Entre os sintomas, está a rigidez de partes do corpo.

A venda será restrita e só poderá ser feita com receita médica, porque o remédio é tarja preta.

A medicação não é indicada para menores de 18 anos, porque não foram feitos testes de eficácia nesse grupo de pacientes, e é proibida para quem tem epilepsia, porque pode agravar a doença.

O registro da Anvisa não permite a produção do remédio no Brasil e o medicamento continuará tendo que ser importado, mas agora com menos burocracia, de acordo com Anvisa. Apenas uma empresa farmacêutica foi autorizada a fazer a importação e o preço que o remédio vai ser encontrado nas farmácias ainda não foi definido.

“Não é para tratamento da esclerose múltipla ou controle exatamente da doença, mas de sintomas que são basicamente a espassidade, a rigidez muscular e a dor muito intensa que decorre em alguns pacientes que desenvolvem esses sintomas e que tem a esclerose múltipla como base”, explica o neurologista Carlos Bernardotauil, da Academia Brasileira de Neurologia.

Fonte: Jornal Hoje

Tratamento de alto risco pode controlar esclerose múltipla

(Arquivo) Um grupo de médicos assegura ter encontrado uma maneira de conter a esclerose múltipla, mas trata-se de um tratamento de alto risco, que não pode ser generalizado

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Um grupo de médicos assegura ter encontrado uma maneira de conter a esclerose múltipla, mas trata-se de um tratamento de alto risco, que não pode ser generalizado, afirma um estudo publicado nesta sexta-feira.

Vinte e quatro pacientes entre 18 e 50 anos foram tratados no Canadá de esclerose múltipla mediante uma potente quimioterapia, destinada a destruir o sistema imunológico antes de um transplante de células-tronco fabricadas pela medula óssea.

O tratamento freou o desenvolvimento de novas lesões cerebrais nesses pacientes sem que fosse necessário tomar medicamentos, segundo o estudo publicado na revista médica britânica The Lancet.

“Oito dos pacientes observaram uma melhoria estável sete anos e meio depois do tratamento”, afirma o texto.

Um dos pacientes faleceu por complicações hepáticas e infecciosas causadas pela quimioterapia agressiva utilizada.

“Trata-se do primeiro tratamento capaz de produzir este nível de controle da doença ou de recuperação neurológica, mas os riscos próprios do tratamento limitam seu uso em grande escala”, enfatiza a revista.

A esclerose em múltipla afeta mais de dois milhões de pessoas no mundo todo, 400.000 apenas na Europa.

Nesta doença, mais ou menos severa, o sistema imunológico da pessoa sofre transtornos e ataca elementos de seu próprio sistema nervoso.

Os sintomas resultantes são variados: enfraquecimento muscular, transtornos do equilíbrio, da visão, da linguagem e inclusive paralisias, que podem ser recuperáveis.

Em mais ou menos longo prazo, estes transtornos podem progredir para uma condição irreversível.

Os tratamentos atuais não permitem a cura da enfermidade e apenas podem frear sua progressão.

Estudos precedentes haviam descrito tentativas com este tipo de tratamento com poucos pacientes, resultados modestos e recurso a uma quimioterapia muito mais leve antes do transplante de células-tronco hematopoiéticas (AHSCT) provenientes de suas próprias medulas ósseas.

Estas células são a origem de diferentes células do sangue (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plaquetas).

No caso do estudo canadense, foi administrada uma quimioterapia mais forte nos pacientes para a “destruição completa” do sistema imunológico com o objetivo de deter a autoagressão.

Todos os pacientes sofriam de uma forma agressiva da doença, com sequelas que iam de “moderadas” à incapacidade de caminhar 100 metros sem ajuda.

Entre os 23 que sobreviveram ao tratamento, não foi observada nenhuma recaída durante o período de estudo, entre quatro e treze anos.

Os exames IRM (por imagens por ressonância magnética) não detectaram nenhuma atividade nova da doença e depois do tratamento foi detectada apenas uma nova lesão em 327 exames.

Depois de três anos, seis pacientes estiveram em condições de voltar ao trabalho ou à escola.

Testes clínicos em mais pacientes deverão confirmar os resultados, admite Mark Freedman (Ottawa), coautor do estudo, reconhecendo que as “vantagens potenciais” do tratamento “devem ser ponderadas pelo risco de complicações graves”.

Em um comunicado sobre o estudo, Jan Dorr, do centro de pesquisa clínica NeuroCure de Berlim, considera os resultados impressionantes.

Mas estima que o estudo provavelmente não mudará o protocolo do tratamento da esclerose múltipla no curto prazo porque o índice de mortalidade será considerado muito alto.

Fonte: SwissInfo

Neurologistas falam sobre esclerose múltipla, sintomas e tratamentos

Segundo o Ministério da Saúde, a doença atinge 30 mil brasileiros.
Esclerose múltipla é autoimune e atinge o sistema nervoso central.

Assista aos vídeos aqui.

A esclerose múltipla atinge cerca de dois milhões de pessoas no mundo e no Brasil, mais de 30 mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde. A doença é autoimune e atinge o sistema nervoso central. A esclerose múltipla pode prejudicar a visão, a fala, a audição e os movimentos.

O Bem Estar desta quarta-feira (9) convidou dois neurologistas para falar sobre a doença – Tarso Adoni e Jefferson Becker, que é neurocientista do Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul.

Mais comum nos jovens e mulheres, a esclerose é uma doença crônica, ou seja, não tem cura. Não dá para prevenir a doença, mas existem diversos tratamentos e medicamentos que permitem que o paciente tenha uma vida normal. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental.

Muitas vezes os sintomas de esclerose múltipla não são tão claros, porque eles são bastante variáveis. Ela costuma afetar as vias do sistema nervoso.

A aposentada Ana Claudia Ribeiro da Silva ia completar 40 anos, tinha uma vida ativa, trabalhava como secretária, quando perdeu o movimento da perna esquerda. Num primeiro momento ela pensou que fosse hérnia de disco, mas não era.

O diagnóstico mudou a vida dela. Primeiro veio a negação. “O médico, pelo jeito que eu fiquei, ele poderia me internar como louca”. Com o tempo, o apoio da família fez com que ela entendesse que a vida seria outra, mas como seria só dependia dela.

Desde que descobriu a doença, nove anos se passaram. Para andar, Ana Claudia precisa de apoio. Como sabe que a esclerose é progressiva, já começou a adaptar o apartamento. Entretanto, mesmo com as limitações, a aposentada faz questão de se manter ativa.

Fonte: Bem Estar