Arquivo da categoria: O que significa?

Terapia Ocupacional

simbolo_terapia.gifÉ uma ciência da saúde que tem como objeto de estudos a cinética do homem e suas relações com atividades ocupacionais, em todas as suas formas de expressão, quer nos desvios patológicos, quer nas suas repercussões psíquicas e orgânicas, tendo como meta restaurar a capacidade fisico-mental do indivíduo.

Trata o ser humano em sua totalidade, proporcionando-lhe condições para uma qualidade de vida digna. Este é o princípio da Terapia Ocupacional, profissão regulamentada pelo Decreto–lei 938 de 13 de outubro de 1969, cuja atuação vai além do aspecto patológico: busca promover o indivíduo na esfera biopsicossocial.

O Terapeuta Ocupacional

Profissional da saúde, com formação acadêmica superior, capacitado para atuar em todos os níveis de atenção à saúde. Habilitado a elaborar o diagnóstico terapêutico ocupacional, compreendido como avaliação cinetico-ocupacional e a partir deste, prescrever e executar as atividades selecionadas com o objetivo de desenvolver e recuperar aspectos físicos, mentais e sociais. A atuação do Terapeuta Ocupacional abrange todas as fases de vida de um indivíduo e sua intervenção tem como propósito a promoção do bem-estar, redução ou correção de disfunções, estimulação e reforço de capacidades funcionais remanescentes, facilitando o processo de aquisição das habilidades e funções essenciais, que tornem o indivíduo mais adaptado e inserido no seu meio social.  

Terapia Ocupacional – Áreas de Atuação  
     
   Terapia Ocupacional Clínica

A) Hospitais Gerais e Psiquiátricos
B) Ambulatórios
C) Consultórios
D) Centros de Reabilitação
E) Clínicas

 Saúde Coletiva

A) Programas institucionais
B) Ações Básicas de Saúde
C) Terapia Ocupacional do Trabalho
D) Vigilância Sanitária
E) Creches
F) Escolas

 Educação

A) Docência (níveis secundário e superior)
B) Extensão
C) Pesquisa
D) Supervisão (técnica e administrativa)
E) Direção e coordenação de cursos

 Outras

A) Indústria de equipamentos de uso Terapêutico Ocupacional
B) Cargos de Gerência, de Diretorias em instituições públicas e privadas.
C) Supervisões
D) Controle e Avaliação de municípios, estados e federal

Fonte: Crefito

Dor neuropática

“Todo mundo é capaz de suportar uma dor,
com exceção de quem a sente.”
William Shakespeare

Antes de definir dor neuropática é essencial que compreendamos o significado da palavra dor. Você com certeza já experimentou essa sensação algumas vezes ao longo de sua vida. Apesar disso, você saberia defini-la ou descrevê-la com palavras? São tantas e diversas as sensações que entendemos como dor; o que então todas elas têm em comum? (1)

A dor é uma sensação complexa caracterizada por uma experiência sensorial e emocional, sempre desagradável. Ela é, portanto, subjetiva, cabendo a cada indivíduo utilizar esta palavra de acordo com suas próprias experiências. (1)

A chamada “dor neuropática” por sua vez, foi definida pela Associação Internacional de Estudos da Dor como: “dor iniciada ou causada por uma lesão ou disfunção que compromete primariamente componentes do sistema nervoso” (cérebro, medula espinhal, raízes e nervos). Dependendo de onde se localiza a lesão, a dor pode ser classificada em central ou periférica. (1)

Como se manifesta? – Como qualquer outro tipo de dor, ela pode ser classificada em aguda ou crônica (superior a três meses), dependendo da sua duração. Infelizmente, a grande maioria das dores neuropáticas são crônicas. Ela pode ser espontânea, quando ocorre na ausência de estímulos externos, ou evocada por estímulo, também chamada de estímulo dependente. (1)

Vários sinais e sintomas são característicos de dor neuropática. Estudos recentes mostram que pacientes com dor neuropática descrevem suas sensações usando principalmente seis palavras: dor em choque elétrico, em queimação, dor fria, como coceira, um formigamento ou uma picada. É importante que médico e paciente consigam caracterizar bem o tipo de dor, pois este fato pode ter grandes implicações em seu tratamento. Apesar de não ser de intensidade extrema, ela causa importante incômodo e incapacidade ao paciente por suas características crônicas. (1)

Quais são os sintomas? (2)

Os sintomas da dor neuropática são frequentemente descritos como punhalada, queimadura ou choques eléctricos. Estes sintomas agravam-se, muitas vezes, durante a noite.

Outros sintomas comuns da dor neuropática são:
Alodínia – sensação dolorosa causada por estímulos que habitualmente não causam dor, como um leve toque;
Hiperestesias – respostas exageradas aos estímulos tácteis, como aos lençóis de cama;
Hiperalgesia – sensibilidade exagerada a estímulos dolorosos;
Hiperpatia – persistência da dor mesmo após a remoção do estímulo dolorosos;
Parestesias e disestesias – sensações anormais e desagradáveis descritas como formigamento, dormência, picadas.

Quão frequente é a Dor Neuropática? (2)

Estima-se entre 1,5 % e 7,7% as pessoas afetadas por dor neuropática, respectivamente, nos Estados Unidos da América (EUA) e na Europa. No entanto, é uma síndrome que, muitas vezes, é sub-diagnosticada e sub-tratada.

Nos países europeus a dor neuropática tem uma prevalência estimada em:
3 milhões de pessoas ou 7,5% no Reino Unido;
2,5 milhões de pessoas ou 6,4% em França;
3,5 milhões de pessoas ou 6% na Alemanha;
2,1 milhões de pessoas ou 7,7% em Espanha.

Que impacto tem a Dor Neuropática nos doentes? (2)

A dor neuropática tem impacto significativo, no funcionamento diário e na qualidade de vida das pessoas afetadas. Em muitos doentes a dor interfere, de forma relevante, no sono e associa-se a falta de energia e dificuldades de concentração.

Devido à dor, que é de natureza crônica, alguns doentes não conseguem trabalhar, andar, ou mesmo tolerar as roupas em contacto com o corpo, pois o simples contacto com estas pode desencadear dores insuportáveis, muitas vezes descritas como sensação de queimadura ou lancinantes.

As lesões nervosas dolorosas constituem um fardo econômico importante para os doentes que procuram cuidados para o alívio da dor. Por outro lado, estes doentes sofrem habitualmente de outras doenças, o que os torna maiores consumidores de cuidados de saúde.

A depressão, ansiedade, doença cardíaca e diabetes são perturbações frequentes nestes doentes. Estima-se que, nos doentes com dor neuropática, os custos totais com a saúde sejam cerca de três vezes superiores aos da população em geral. (2)

Principais causas de dor neuropática: (3)

Lesões traumáticas de:

  • nervos periféricos
  • nervos cranianos
  • raízes dorsais
  • medula espinal
  • certas regiões do encéfalo (vias sensitivas, núcleos sensitivos, tálamo, córtex sensitivo)

Neuropatias periféricas dolorosas:

Localizadas:

  • síndromes compressivas (entrapment e neoplasias)
  • dor complexa regional (distrofia simpaticorreflexa, causalgia)
  • membro fantasma e dor de coto de amputação
  • neuralgia pós-herpética
  • mononeuropatia diabética
  • neuropatia isquêmica
  • poliarterite nodosa
  • pós-radioterapia

Difusas (polineuropatias e mononeurites múltiplas):

  • diabética
  • alcoólica
  • amiloidose
  • AIDS
  • hipotireoidismo
  • neuropatias sensitivas hereditárias
  • doença de Fabry
  • deficiência de vitamina do complexo B
  • neuropatias tóxicas
  • auto-imunes
  • vasculites
  • paraneoplásica

Doenças medulares:

  • esclerose múltipla
  • lesões isquêmicas
  • mielopatias infecciosas degenerativas
  • siringomielia
  • compressões (tumores, degeneração discal)

Doenças encefálicas:

  • siringobulbia
  • acidente vascular encefálico
  • esclerose múltipla
  • doença de Parkinson

Fontes:

  1. Revista Hands nº 15 – abril / maio 2003 (Associação Brasileira do Câncer)
  2. ABC da Saúde – SAPO.pt
  3. Galvão, Antônio César Ribeiro. Dor Neuropática: tratamento com anticonvulsivantes. São Paulo: Segmento Farma, 2005

Eletroforese de Proteínas – Bandas Oligoclonais

A eletroforese das proteínas permite a determinação das frações protéicas, sendo atualmente, empregadas técnicas com ótimo poder de resolução e com a utilização de baixos volumes.

A pesquisa de bandas oligoclonais no líquor (ver exame do LCR) tem grande importância no diagnóstico e no seguimento de processos inflamatórios do sistema nervoso central (SNC). Essas bandas são imunoglobulinas sintetizadas por um ou poucos clones de plasmócitos, derivados de linfócitos B, em resposta à presença contínua de um antígeno único e altamente específico. Podem ser encontradas em mais de 90% dos pacientes com esclerose múltipla, mas não constituem indícios exclusivos dessa doença. Processos infecciosos subagudos ou crônicos do SNC, tais como a panencefalite esclerosante subaguda pós-sarampo, a neurossífilis e as encefalopatias virais – a exemplo da causada pelo HIV -, costumam provocar o aparecimento de tais bandas, cuja presença isolada no LCR, e não no soro, está relacionada à síntese intra-tecal de anticorpos.

Fonte: Fleury. Manual Neurodiagnóstico: Líquido cefalorraquidiano (LCR).

Exame do Líquido cefalorraquidiano (LCR)

O exame do líquido cefalorraquidiano (LCR) ou líquor vem sendo utilizado como arma diagnóstica desde o final do século XIX, contribuindo, significativamente, para o diagnóstico de patologias neurológicas. Além do diagnóstico, a análise do LCR permite o estadiamento e o seguimento de processos vasculares, infecciosos, inflamatórios e neoplásicos que acometem, direta ou indiretamente, o Sistema Nervoso. Através da puncao_lombar.jpgpunção liquórica (imagem) é possível, também, a administração intra-tecal de quimioterápicos, tanto para tratamento de tumores primários ou metastáticos do Sistema Nervoso Central, como para a profilaxia do envolvimento neurológico de tumores sistêmicos. No Quadro 1 estão listadas as indicações do exame do LCR, segundo a Academia Americana de Neurologia (AAN).

Não há preparo específico para o exame do LCR. O paciente pode alimentar-se normalmente e não deve estar fazendo uso de medicação anticoagulante ou de drogas que interfiram na coagulação sanguínea. A sedação está indicada naqueles pacientes extremamente agitados, mas pode ser realizada em todos aqueles que o desejarem. A punção liquórica está formalmente contra-indicada nos indivíduos com hipertensão intracraniana ou quando houver processo infeccioso no trajeto da agulha. Naqueles indivíduos sob tratamento anticoagulante, o médico deve estar atento para o risco de sangramento decorrente da punção e para a real necessidade desta.

Quadro 1: Indicações do exame de LCR, segundo a AAN

  • Processos infecciosos do SN e seus envoltórios
  • Processos granulomatosos com imagem inespecífica
  • Processos desmielinizantes
  • Leucemias e linfomas (estadiamento e tratamento)
  • Imunodeficiências
  • Processos infecciosos com foco não identificado
  • Hemorragia sub-aracnoidea

A análise dos resultados obtidos no exame do LCR deve ser sempre feita em conjunto e tendo como base a sintomatologia apresentada pelo paciente.

Líquido cefalorraquidiano (LCR) na Esclerose Múltipla

Doença de evolução polifásica e com sintomatologia diversa, a esclerose múltipla (EM) tem no exame de LCR um excelente método diagnóstico e de acompanhamento. Freqüentemente são encontradas pleocitose linfomonocitária e hiperproteinorraquia discretas, até 30 células/mm3 e até 100 mg/dL, respectivamente. O dado liquórico mais importante e útil no diagnóstico é a presença de bandas oligoclonais, que ocorre em mais de 90% dos casos. Também é de grande importância a determinação da produção intra-tecal de IgG, que está elevada entre 70 e 90% dos casos. A dosagem da proteína básica de mielina, antigamente utilizada, não apresenta valor diagnóstico, por níveis variáveis e por ser altamente inespecífica.

Fontes: Fleury. Manual Neurodiagnóstico: Líquido cefalorraquidiano (LCR) (texto) e Irish Health Information Website (Imagem)

Síndrome de esclerose múltipla like na síndrome de Sjögren

A Síndrome de Sjögren é uma doença auto-imune crônica, em que o sistema imunológico do próprio corpo do paciente erroneamente ataca as glândulas produtoras de lágrimas e saliva. Os linfócitos infiltram-se por estas glândulas provocando diminuição da produção de saliva e lágrimas.

Características principais: secura nos olhos e na boca. Pode também causar secura de pele, nariz e vagina e pode afetar órgãos do corpo, inclusive os rins, vasos sangüíneos, pulmões, fígado, pâncreas e cérebro. Fadiga e dor nas articulações podem comprometer de forma significativa a qualidade de vida do paciente. Estima-se que quatro milhões de americanos tenham a Síndrome de Sjögren, muitos deles sem diagnóstico. Nove entre dez pessoas com Sjögren são mulheres. Embora a maioria das mulheres diagnosticadas costume estar na menopausa ou ainda com mais idade. Sjögren pode ocorrer também em crianças e adolescente. Mulheres jovens com Sjörgren podem apresentar complicações na gravidez. No Brasil, não se sabe o número exato de portadores da Síndrome de Sjögren. A causa (ou causas) específica da SS não é conhecida, mas múltiplos fatores provavelmente estão envolvidos, dentre os quais os genéticos, viróticos, hormonais ou suas interações(1).

A síndrome de esclerose múltipla like é uma das manifestações neurológicas possíveis da síndrome de Sjögren.

O envolvimento do SNC na SS é relativamente frequente, com uma prevalência estimada em cerca de 20 a 25%. Tanto o cérebro como a espinhal medula podem estar envolvidos.

De particular importância é a síndrome de esclerose múltipla like. Nos pacientes com SS, os achados clínicos, eletrofisiológicos, parâmetros do líquor e achados na ressonância nuclear magnética são indistinguíveis dos observados na esclerose múltipla, sendo muitas vezes difícil de distinguir a esclerose múltipla primária da Síndrome de Sjögren (SS) com mielopatia crónica. Assim, vários autores defendem, atualmente, que a SS deve ser sistematicamente investigada em todos os doentes com esclerose múltipla, como diagnóstico diferencial a ter em conta, mesmo não estando definido se as duas entidades podem ser encaradas separadamente ou se a SS associada à esclerose múltipla pode ser definida como SS secundária, dado que pode vir a ter importância em termos terapêuticos, nomeadamente para fármacos que estão presentemente a ser ensaiados e que parecem vir a ter um futuro promissor no tratamento da esclerose múltipla(2).

Fontes:

  1. Síndrome de Sjögren -Dr. Marcelo Cruz Rezende – reumatologista / MS Baseado em texto da “Arthritis Foundation”. Sociedade Brasileira de Reumatologia
  2. Manifestações neurológicas da síndrome de Sjögren – Rui António Vieira Antunes. Lusomed