Arquivo da categoria: O que significa?

Anti-aquaporina 4 e NMO

Aquaporinas são uma classe de porinas (moléculas proteicas que constituem um canal transmembranoso) que permitem a passagem de água e outras pequenas moléculas através da membrana celular.

Há poucos anos foi descoberta a expressão da aquaporina 4 (AQP4) no cérebro. Os anticorpos anti-aquaporina 4 (anti-AQP4) parecem ter maior sensibilidade para a neuromielite óptica (NMO) do que o anticorpo sérico específico para a NMO (NMO-IgG), segundo estudos recentes. Os locais de distribuição das lesões da NMO são os mesmos locais onde há maior expressão das AQP4.

Fontes:

DeCs – Descritores em ciência da saúde. Bireme.
Pittock SJ et. al. Neuromyelitis optica brain lesions localized at sites of high aquaporin 4 expression. Arch Neurol. 2006 Jul;63(7):964-8.
Takahashi T et. Al. Establishment of a new sensitive assay for anti-human aquaporin-4 antibody in neuromyelitis optica. Tohoku J Exp Med. 2006 Dec;210(4):307-13.

Ligação: Doença de Devic

O que é um fisiatra?

Dr.Paulo Cesar Trevisol Bittencourt
Professor de Neurologia/UFSC

O fisiatra é um médico especializado em medicina física e reabilitação. Fisiatras atuam em vários tipos de problemas que causam deficiências, desvantagens e incapacidades – Desde uma dor nas costas até as seqüelas causadas por um trauma na medula espinhal ou os problemas motores e cognitivos causados por um derrame, por exemplo.

Eles vêem pacientes em todas as faixas etárias e tratam problemas que tocam em todos os principais sistemas do organismo.

Estes especialistas têm como objetivos melhorar a capacidade funcional destes pacientes, tentando devolver ao máximo sua independência e, assim, melhorar a qualidade de vida destes e de suas famílias.

Fisiatras tratam dor aguda e crônica, além de desordens musculo-esqueléticas. Pacientes fisiátricos incluem pessoas com artrites, tendinites, qualquer tipo de dor nas costas e lesões relacionadas ao trabalho ou ao esporte.

Portadores de amputações dos membros (congênitas ou adquiridas) são acompanhados desde a fase de pré-amputação até a sua protetização. Portadores de câncer podem ter a sua morbidade diminuída e sua qualidade de vida melhorada através da abordagem reabilitacional.

Pacientes com desordens neurológicas como lesões medulares e cerebrais traumáticas são tratados pelo fisiatra, abordando dentro destas as suas principais complicações. Além de lesões traumáticas, outras condições como sequelas de derrame (AVC) ou esclerose múltipla, assim como problemas no desenvolvimento neuro-psico-motor de crianças também são abordados.

Fisiatras geralmente trabalham em centros de reabilitação, hospitais e em consultórios. Freqüentemente, atuam dentro da ampla área da especialidade, mas alguns se especializam em sub-áreas, como: dor crônica, neuroreabilitação, medicina esportiva, reabilitação cardíaca, entre outras áreas.

(Traduzido e adaptado do site da Academia Americana de Medicina Física e Reabilitação)

Veja também:

Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação

Sociedade Paulista de Medicina Física e Reabilitação

Fonte: http://www.neurologia.ufsc.br/index.html

Bexiga Neurogênica

A bexiga neurogênica é a perda da função normal da bexiga provocada pela lesão de uma parte do sistema nervoso.

A bexiga neurogênica pode ser decorrente alguma doença, de uma lesão ou de um defeito congênito que afeta o cérebro, a medula espi nhal ou os nervos que se dirigem à bexiga, seu esfíncter (orifício de saída para o interior uretra) ou a ambos. A bexiga neurogênica pode ser hipoativa, isto é, o órgão é incapaz de contrair (não contrátil) e é incapaz de esvaziar adequadamente, ou pode ser hiperativa (espástica), esvaziando por reflexos incontroláveis.

Causas

Normalmente, a bexiga hipoativa é decorrente da interrupção dos nervos que a inervam. Nas crianças, a causa mais comum é um defeito congênito da medula espinhal como, por exemplo, a espinha bífida ou a mielomeningocele (protrusão da medula espinhal através das vértebras).

A bexiga hiperativa comumente é decorrente da interrupção do controle normal da bexiga pela medula espinhal e pelo cérebro. As causas mais comuns são as lesões ou um distúrbio (p.ex., esclerose múltipla) que afetam a medula espinhal, os quais também podem acarretar paralisia dos membros inferiores (paraplegia) ou dos membros superiores e inferiores (quadriplegia). Freqüentemente, esse tipo de lesão inicialmente faz com que a bexiga torne-se flácida durante dias, semanas ou meses (a fase de choque). Posteriormente, a bexiga torna-se hiperativa e esvazia sem controle voluntário.

Sintomas

Os sintomas variam de acordo com a bexiga ser hipoativa ou hiperativa.

Como a bexiga hipoativa comumente não chega a esvaziar, ela dilata até tornar-se muito volumosa. Este aumento de volume geralmente é indolor, pois a bexiga expande lentamente e possui pouca ou nenhuma atividade nervosa local. Algumas vezes, a bexiga permanece dilatada, mas, constantemente, ela deixa escapar uma pequena quantidade de urina (incontinência por transbordamento). As infecções vesicais são comuns em indivíduos com bexiga hipoativa, pois o acúmulo de urina residual na bexiga cria as condições que estimulam o crescimento bacteriano. Pode ocorrer formação de cálculos na bexiga, sobretudo quando o indivíduo apresenta uma infecção crônica da bexiga que exige uma sonda de demora. Os sintomas de uma infecção da bexiga podem variar, dependendo do grau de atividade nervosa que resta.

A bexiga hiperativa pode encher e esvaziar sem controle e com graus variáveis de “alerta”, pois ela contrai e esvazia por reflexo (involuntariamente).

Quando existe uma bexiga hipoativa ou hiperativa, a pressão e o refluxo de urina da bexiga através dos ureteres pode lesar os rins. Nos indivíduos com lesão medular, a contração da bexiga e o relaxamento do esfíncter vesical podem não estar coordenados e, conseqüentemente, a pressão na bexiga permanece elevada e não permite que a urina saia dos rins

Diagnóstico

Freqüentemente, o médico pode palpar uma bexiga volumosa durante o exame da região abdominal inferior. Os estudos radiográficos utilizando um contraste injetado por meio da via intravenosa (urografia intravenosa) ou através de um cateter diretamente na bexiga (cistografia) e na uretra (uretrografia) fornecem informações adicionais. As radiografias podem revelar o tamanho dos ureteres e da bexiga e, possivelmente, cálculos e lesões renais. Além disso, elas podem prover ao médico algumas informações sobre a função renal. A ultra-sonografia fornece informações similares. A cistoscopia é um procedimento, normalmente indolor, que permite ao médico observar diretamente o interior da bexiga com o auxílio de um tubo de visualização flexível, o qual é inserido através da uretra.

A quantidade de urina que permanece na bexiga após a micção pode ser mensurada através da passagem de um cateter vesical (sonda vesical) para drenar a urina. A pressão no interior da bexiga e da uretra pode ser medida conectando-se o cateter a um medidor (cistometrografia).

Tratamento

Quando a causa da bexiga hipoativa é uma lesão neurológica, o médico pode passar um cateter pela uretra para drenar a bexiga contínua ou intermitentemente. Após a lesão, o cateter é passado assim que possível para impedir que os músculos da bexiga sejam lesados pela dilatação excessiva e para evitar uma infecção da bexiga.

A manutenção de uma sonda de demora (permanente) causa menos problemas físicos na mulher que no homem. Em um homem, ela pode causar inflamação da uretra e do tecido circunjacente. No entanto, tanto para os homens quanto para as mulheres, é preferível o uso de um cateter (sonda) que possa ser passado periodicamente pelo próprio paciente (4 a 6 vezes ao dia) e removido após o esvaziamento da bexiga (autosondagem intermitente).
Os indivíduos com bexiga hiperativa também podem necessitar da passagem de uma sonda para drenagem quando os espasmos do esfíncter vesical impedem o seu esvaziamento completo. Para os homens com quadriplegia que não conseguem realizar a autosondagem, pode ser necessária a realização da secção do esfíncter vesical (anel muscular que fecha um orifício), para permitir o esvaziamento da bexiga. Uma bolsa de coleta externa pode ser utilizada. A estimulação elétrica pode ser aplicada à bexiga, aos nervos que a controlam ou à medula espinhal para induzir a contração da bexiga. No entanto, este tipo de tratamento ainda encontra-se em fase experimental.

O tratamento medicamentoso pode melhorar o armazenamento de urina na bexiga. Geralmente, o controle de uma bexiga hiperativa pode ser melhorado por medicamentos que a relaxam (p.ex., anticolinérgicos). Entretanto, essas drogas comumente causam efeitos colaterais (p.ex., boca seca e constipação) e a melhoria do esvaziamento da bexiga com o uso de medicamen-tos é difícil para aqueles que apresentam uma bexiga neurogênica.

Algumas vezes, é recomendada a cirurgia de desvio da urina até uma abertura externa (ostomia) criada na parede abdominal ou de a cirurgia para aumentar a bexiga. O desvio da urina proveniente dos rins para a superfície do corpo pode ser realizado por meio da remoção de um pequeno segmento do intestino delgado e, em seguida, da conexão dos ureteres a esse segmento, o qual é fixado à ostomia, permitindo que a urina seja coletada em uma bolsa. Este procedimento é denominado alça ileal. A bexiga pode ser aumentada com um segmento do intestino, em um procedimento denominado cistoplastia de aumento e o indivíduo pode realizar a autosondagem. Para os lactentes, como medida temporária até a criança atingir a idade para a cirurgia definitiva, é criada uma conexão entre a bexiga e uma abertura na pele (vesicostomia).

Independentemente do fluxo urinário ter sido desviado ou não ou se o indivíduo faz uso de uma sonda ou não, são realizados grandes esforços para reduzir o risco da formação de cálculos urinários. A função renal é rigorosamente monitorizada. Uma infecção renal é tratada imediatamente. A ingestão de 8 copos de líquido por dia é recomendada. Um indivíduo com paralisia deve ser mudado de posição freqüentemente e os outros são estimulados a deambular o mais breve possível. Embora a recuperação completa seja incomum em qualquer tipo de bexiga neurogênica, alguns indivíduos apresentam uma recuperação considerável com o tratamento.

Fonte: Manual Merck

Espasmo Hemifacial

Contrações involuntárias e repetitivas da metade da face (alguns ou todos os músculos inervados pelo nervo facial). Os movimentos são irregulares, podem estar presentes durante o sono ou associados a lacrimejamento excessivo e a outras alterações neurológicas.

A maioria dos casos é devido a compressão de uma artéria sobre o nervo facial, na zona de sua saída próximo ao tronco cerebral. Outras causas menos freqüentes: compressão do nervo facial por um lesão intracraniana (tumor, aneurisma, malformação vascular), esclerose múltipla, aderências ou deformidades ósseas da base do crânio.

Se a causa não for lesão expansiva intracraniana, tratamento inicial é medicamentoso ou injeção local de toxina botulínica.

Fonte: Hospital Universitário Clementino Fraga Filho

Meninges e Líquido Cefalorraquidiano

Artigo da Liga de Neurociências: sistemanervoso.com

  O sistema nervoso (medula e encéfalo) encontra-se envolvido por membranas de tecido conjuntivo, denominadas meninges. As meninges são representadas pela dura-máter (paquimeninge), pela aracnóide e pia-máter (conhecidas como leptomeninges). Todas elas possuem função protetora. 

  Apesar de sua função protetora, as meninges podem ser alvo de patologias importantes, como alguns tumores benignos, geralmente meningiomas e as conhecidas meningites.
  O conhecimento anatômico e funcional das meninges é muito importante tanto para entender sua função protetora, como também para entender as patologias que podem afetá-las.

Dura-máter

  • A dura-máter é a mais externa, resistente e espessa das três meninges existentes;
  • Ricamente vascularizada e inervada por terminações sensoriais. Por ser a única região do encéfalo que possui terminações nervosas sensoriais, é a principal responsável por dores de cabeça;
  • No sistema nervoso central, a dura-máter é formada por dois folhetos (externo e interno); o folheto externo é ricamente vascularizado (sua irrigação provém da artéria meníngea média) e está intimamente aderido à tabua óssea, comportando-se como um periósteo inativo, visto que não possui atividade osteogênica;
  • Em algumas regiões do encéfalo os dois folhetos da dura-máter se separam um do outro formando algumas estruturas:
    – foice do cérebro: septo mediano que se insere na fissura longitudinal dividindo o cérebro em dois hemisférios;
    – tenda do cerebelo: septo que separa o lobo occipital do cerebelo, dividindo as estruturas do encéfalo como supra e infratentoriais;
    – foice cerebelar: septo que divide o cerebelo em dois hemisférios;
    – diafragma selar: isola e protege a glândula hipófise ao fechar a sela túrcica; este diafragma possui uma abertura para a passagem da haste hipofisária que liga a glândula ao encéfalo.

Seios da dura-máter

  • São canais venosos localizados entre os folhetos da dura-máter cuja função é drenar o sangue venoso vindo das veias do encéfalo e do bulbo ocular e enviá-lo para as veias jugulares internas retirando-o da cavidade craniana;
  • Existem vários seios espalhados ao longo da dura-máter entre eles podemos citar alguns:
    – seio transverso: localiza-se de ambos os lados ao longo da tenda do cerebelo e dá origem ao seio sigmóide;
    – seio sigmóide: tem forma de letra S e vai da porção petrosa do osso temporal até o forame jugular, onde desemboca na veia jugular interna. Este seio drena quase que a totalidade do sangue venoso craniano;
    – seio cavernoso: situado dos dois lados do corpo do osso esfenóide e da sela túrcica. Elas drenam o sangue vindo das veias oftálmicas superiores, central da retina e região da face. Algumas estruturas atravessam este seio, entre elas estão a carótida interna, o nervo abducente, oculomotor e ramo oftálmico do nervo trigêmeo. Como a carótida atravessa este seio, aneurismas nesta região podem ocasionar compressão de nervos que resultam em distúrbios oculares.

Aracnóide

  • É uma meninge intermediária, pois fica entre a dura-máter e a pia-máter;
  • É uma fina membrana trabeculada próxima a dura-máter, separada desta por um espaço virtual conhecido como subdural. Suas trabéculas se ligam à pia-máter formando com ela o espaço subaracnóideo;
  • O espaço subaracnóideo é a região que abriga o líquor, ele está presente no encéfalo e na medula espinal, sendo uma via direta de comunicação entre a medula e o encéfalo.

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Cisternas subaracnóideas

  • São espaços ou cisternas maiores que o espaço subaracnóideo formados entre a pia-máter e a aracnóide cujo acúmulo de líquor é maior que em outras regiões;
      As principais cisternas são:
    – cisterna magna: vai da face inferior do cerebelo à face posterior do bulbo, onde se liga ao IV ventrículo. Esta cisterna, em alguns casos, devido às suas grandes dimensões, é utilizada para a obtenção de líquor através de punção;
    – cisterna pontina: localizada anteriormente à ponte;
    – cisterna interpeduncular: localizada na fossa interpeduncular;
    – cisterna quiasmática: localizada anterior ao quiasma óptico;
     
  • Granulação aracnóidea ou de Pacchioni: são pequenas projeções da aracnóide para o interior da dura-máter, sendo responsáveis pela absorção ou drenagem do líquor do espaço subaracnóideo.

Pia-máter

  • É a meninge que está intimamente aderida ao encéfalo e aos feixes de fibras medulares. Sua função é dar resistência aos órgãos nervosos, que são de consistência extremamente delicada e mole.

Líquor

  • O líquor é uma substância secretada pelo epitélio ependimário através dos plexos coróides. Esses plexos estão localizados nos ventrículos laterais e no III e IV ventrículos. 
  • É um líquido a base de água que está presente no espaço subaracnóideo e ventricular, cuja função é a proteção mecânica do encéfalo. Para isto, o líquor acolchoa o cérebro, deixando-o flutuar nesse meio;
  • São produzidos cerca de 500 mL de líquor por dia, em contra partida, os ventrículos juntamente com o espaço subaracnóideo, conseguem armazenar apenas 150 mL. Para que não ocorra acúmulo deste líquido no encéfalo, as granulações aracdônicas atuam absorvendo este líquor do espaço subaracnóideo.
  • O líquor atua como um amortecedor contra choques que possivelmente causariam lesões cerebrais, pois quando a cabeça sofre um choque, o cérebro desloca-se simultaneamente com o crânio, impedindo que porções do cérebro sejam mais afetadas que outras;

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Circulação liquórica

  • O líquido produzido no ventrículo lateral se dirige para o III ventrículo pelos forames interventriculares (de Monro). Do III ventrículo ele parte para o IV ventrículo através do aqueduto do mesencéfalo (de Sylvius). Pelas aberturas do IV ventrículo (forames de Luschka e Magendie) o líquor atinge a cisterna magna e depois dela todo o espaço subaracnóideo da medula e encéfalo, sendo reabsorvido nas granulações de Pacchioni. A circulação do líquor se faz primeiramente em direção à medula e depois sobe para o encéfalo como mostrado na figura abaixo indicado pelas setas:

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