Perda temporária da visão e dor ocular podem ser sinais da esclerose múltipla, afirma especialista

Estima-se que 75% das mulheres e 35% dos homens irão desenvolver a esclerose múltipla depois de um episódio de neurite ótica

São Paulo – Os primeiros sintomas da neurite ótica, inflamação que danifica o nervo ótico, podem aparecer repentinamente. A perda temporária da visão e a dor nos olhos são os principais sintomas, que podem vir acompanhados pela dificuldade em enxergar cores e ter a sensação de ver flashes ou luzes piscando. O campo de visão também é afetado.

neuroftalmologista Dra. Marcela Barreira, especialista no diagnóstico e no tratamento da neurite ótica, explica que a causa exata da neurite ótica permanece desconhecida. “Acredita-se que a doença se desenvolve quando o sistema imunológico, erroneamente, começa a atacar a substância que reveste o nervo ótico, chamada de mielina, resultando em inflamação do nervo e em degeneração da mielina”.

“Normalmente, a mielina ajuda os impulsos elétricos a passarem rapidamente do olho para o cérebro, convertendo-os em informações visuais. A neurite ótica interrompe esse processo, afetando a visão. Por isso, o primeiro sintoma da neurite ótica é a perda temporária da visão e dor, principalmente quando se movimenta os olhos. Vale lembrar que a neurite costuma afetar apenas um olho” explica Dra. Marcela.

Embora a maioria das pessoas que apresenta um episódio de neurite ótica, eventualmente recupera a visão, a condição pode ser um dos primeiros sinais da Esclerose Múltipla (EM), doença que causa a inflamação e degeneração dos nervos do cérebro e da coluna vertebral. “Sinais e sintomas da neurite ótica podem ser a primeira indicação da EM ou podem ocorrer durante o curso da doença. Mas, a neurite ótica também pode se desenvolver devido a outras doenças, como infecções e doenças autoimunes, como o lúpus”, diz Dra. Marcela.

De acordo com estudos internacionais, a incidência anual da neurite ótica é de 4 a 5 casos em um grupo de 100 mil pessoas. A doença afeta duas vezes mais mulheres que homens e é mais comum em pessoas caucasianas. Atinge, principalmente, pessoas entre 20 e 45 anos. Após um episódio de neurite ótica, algumas pessoas podem apresentar diminuição da acuidade visual, assim como podem enfrentar dificuldades para enxergar cores, brilho e nitidez.

O médico responsável por fazer o diagnóstico da neurite ótica é o neuroftalmologista. Além do exame clínico, são solicitados exames laboratoriais e de imagem para confirmar a suspeita. O tratamento pode variar de paciente para paciente, mas em geral é feito com corticoides, medicamentos que ajudam a conter a inflamação. É importante dizer que quando o paciente apresenta outra doença sistêmica, como a esclerose múltipla, é preciso tratá-la também.

Fonte: O Nortão

Experimento repara quimicamente o cérebro

Cientista que teve paralisia temporária tenta curar esclerose múltipla

RIO — Aos 21 anos a pesquisadora Denise Fitzgerald teve uma paralisia na perna que progrediu de dormência a paralisia total em duas horas — uma mielite transversa aguda, inflamação das substâncias cinzenta e branca da medula espinal, geralmente tratada com corticoides. O dano foi temporário, mas inspirou Denise a pesquisar os sistemas de reparo do cérebro e, ontem, sua descoberta à frente do laboratório de Neuroimunologia da Universidade Queen, em Belfast, no Reino Unido, foi relatada como uma esperança na luta contra esclerose múltipla.

A principal diferença entre as duas condições é que a mielite transversa é um evento único, enquanto a esclerose múltipla é um ataque de longo prazo à mielina, um revestimento protetor que permite que os sinais elétricos se desloquem pelos nervos. Sem mielina, o cérebro não controla o corpo. Na esclerose múltipla, o sistema imunológico ataca a mielina, como se fosse um agente invasor. No experimento publicado na na revista “Nature Neuroscience” o grupo de neurocientistas, imunologistas e pesquisadores de células-tronco do qual Denise faz parte descobriram uma forma de regenerar a mielina.

HABILIDADE RARA

Numa série de experimentos com camundongos, um tipo de glóbulo branco (chamado de célula T-reguladora) que é atraído pela mielina danificada no cérebro, coordena a recuperação quimicamente, usando uma proteína com o nome técnico de CCN3. Como as células-tronco têm a rara habilidade de se transformar em outros tipos de células, a CCN3 diz para elas se tornarem células de produção de mielina.

— De minha perspectiva, é um passo fundamental na biologia do reparo — disse a pesquisadora à BBC. — Nosso objetivo é usar tudo isso para desenvolver novas drogas que possam reparar a mielina e talvez fazer com que os pacientes recuperem funções.

O próximo passo da pesquisa é fazer testes em tecidos humanos no lugar de camundongos.

Fonte: O Globo

Transplante de células-tronco interrompe avanço da esclerose múltipla

Terapia é radical, mas benefícios podem superar riscos em alguns casos, mostra estudo 

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Um tratamento radical para a esclerose múltipla pode interromper a progressão da doença por até cinco anos, mas nem todos os pacientes se beneficiam dele ou devem realizá-lo, já que a terapia também traz o risco de matar o paciente. A conclusão é do primeiro estudo que acompanhou por um longo prazo pessoas que se submeteram ao procedimento, conhecido como transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas, e publicado nesta segunda-feira no periódico científico “JAMA Neurology”.

Uma das doenças neurodegenerativas mais devastadoras, e misteriosas, a atingir a Humanidade, a esclerose múltipla não tem uma causa definida e é de difícil diagnóstico, com uma ampla gama de sintomas que podem surgir e passar ao longo de muitos anos. Nesta doença, o sistema imunológico da própria pessoa ataca a chamada bainha mielina, uma espécie de “revestimento” das fibras nervosas. Com isso, acontecem “curto-circuitos” que perturbam e embaralham o fluxo de sinais entre o cérebro e o resto do corpo, provocando problemas que vão desde fadiga e fraqueza, passando por tremores e espasmos, a dificuldades visuais, de fala e até cognitivos na sua forma progressiva mais grave. Estima-se que atualmente cerca de 2,3 milhões de pessoas sofrem com a esclerose múltipla em todo mundo.

Sistema imunológico é ‘reiniciado’

Na terapia avaliada no estudo, os médicos primeiro estimulam o corpo do paciente a liberar as células-tronco hematopoiéticas (capazes de gerar todas as células do sangue) na corrente sanguínea, de onde são colhidas. Depois, eles lançam mão de uma quimioterapia extremamente agressiva para destruir o sistema imunológico das vítimas e, posteriormente, reconstruí-lo usando justamente as células-tronco obtidas na etapa anterior do tratamento. A ideia por trás de todo processo é algo como “reiniciar” o sistema imunológico dos pacientes de forma que ele pare de atacar a bainha de mielina de seus nervos, mas isso também os deixa expostos a infecções nesse meio tempo.

E é aí que está o maior perigo do tratamento. Dos 281 pacientes no estudo que fizeram o procedimento entre 1995 e 2006, oito acabaram morrendo até cem dias depois de se submeterem a ele. Mas, por outro lado, 46% deles viram a progressão dos sintomas estacionar por até cinco anos, e alguns poucos experimentaram ligeiras melhoras da sua condição. Segundo os pesquisadores, os benefícios foram maiores quanto mais jovem era o paciente e menos agressivo o tipo de esclerose múltipla que ele sofria. Já os riscos do procedimento foram mais altos para os pacientes mais velhos e os que estavam com a doença em estágios mais avançados.

— Nós já sabíamos que este tratamento reinicia o sistema imunológico e que traz riscos, mas não sabíamos por quanto tempo seus benefícios duravam — justifica Paolo Muraro, líder do estudo e professor do Departamento de Medicina do Imperial College London. — Neste estudo, que é o maior acompanhamento de longo prazo deste procedimento, mostramos que podemos “congelar” a doença do paciente e evitar que ela fique pior por até cinco anos. Mas também temos que levar em conta que o tratamento tem um pequeno risco de morte para uma doença que não é uma ameaça imediata à vida.

Muraro destaca ainda que a maioria das vítimas de esclerose múltipla sofre com um tipo da doença em que os sintomas aparecem como surtos, conhecidos como relapsos, e depois vão melhorando, o chamado remitente-recorrente. Entre estes, quase três em cada quatro (73%) não tiveram piora nos cinco anos após o transplante, segundo ele um período muito maior de interrupção do progresso da doença que se esperaria caso não tivessem feito o tratamento radical. Já entre os que tinham a forma progressiva (e mais severa) da esclerose múltipla, em maioria no estudo, apenas um em cada três não viram os sintomas da doença piorarem no prazo de cinco anos após o procedimento.

— De modo geral, o tratamento da esclerose múltipla é medicamentoso e o transplante não é a primeira, a segunda e nem a terceira opção de terapia — reforça a médica Claudia Cristina Ferreira Vasconcelos, integrante do Departamento Científico de Neuroimunologia da Academia Brasileira de Neurologia. — O transplante é um tratamento muito complexo, custoso e que tem o maior risco de mortalidade. E embora esta mortalidade venha diminuindo, não é um tratamento para ser usado em larga escala, só quando as outras terapias não têm sucesso e o avanço da doença é muito agressivo, pois os pacientes podem responder muito bem a tratamentos muito mais seguros.

Diante dos resultados do estudo, no entanto, Muraro defende pesquisas mais amplas sobre os potenciais benefícios do transplante para que ele seja mais utilizado:

— Precisamos urgentemente de tratamentos mais eficazes para esta condição — conclui.

Fonte: O Globo

Esclerose múltipla atinge cerca de 30 mil brasileiros, mas ainda é subdiagnosticada

Quem já ouviu falar da esclerose múltipla sabe que essa doença autoimune causa incapacidade e pode levar à morte. A enfermidade é subdiagnosticada no País e, mesmo assim, já atinge mais de 30 mil brasileiros. Em sua maioria, mulheres adultas jovens, em idade produtiva. O Brasil já conta com os medicamentos mais modernos, que impedem a progressão da patologia. Mas ainda é preciso avançar no diagnóstico, assim como no acesso e no entendimento sobre o uso das terapias, o que inclui a necessidade de revisão do Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da doença.
A esclerose múltipla compromete o sistema nervoso central. É caracterizada pela inflamação crônica e desmielinização da bainha de mielina, que envolve os axônios dos neurônios, por onde passam os impulsos nervosos. “É como se um fio estivesse desencapado e acontecesse um ‘curto-circuito’ no seu cérebro, gerando uma cicatriz, que é a esclerose e pode afetar vários locais no cérebro e na medula espinhal. Essa lesão pode causar desde comprometimento temporário da visão, falta de equilíbrio até sintomas mais graves, como cegueira e paralisia completa dos membros”, explica o médico neurologista Douglas Sato, coordenador do Departamento Científico de Neuroimunologia da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), professor do Instituto do Cérebro (Inscer) e da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).
Por ser incapacitante, quanto mais rápido seu diagnóstico e o início do tratamento, melhor. Segundo Sato, o diagnóstico da esclerose múltipla é feito pela análise dos sintomas (entre eles, fraqueza, formigamento ou dormência nos membros, tremor nas mãos, dificuldade para falar, caminhar ou escrever) e por meio de exames de imagem. Mesmo assim, por ter sintomas comuns a outras patologias, nem sempre o reconhecimento é fácil ou rápido.
Outra peculiaridade é o perfil da doença, que geralmente difere de paciente para paciente. “Atualmente, há um consenso entre os médicos especializados em desenvolver um tratamento único para cada indivíduo de acordo com a agressividade e a atividade da doença, por exemplo. Para isso, é fundamental aumentar as opções de medicamentos disponíveis e permitir seu uso de acordo com a atividade da doença, o que é limitado pelo atual Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas da doença”, pondera Sato. “Hoje temos de seguir prescrevendo medicamentos em uma sequência que não considera as peculiaridades do paciente. O atraso em atingir as medicações mais apropriadas pode facilitar a presença de surtos e de sequelas permanentes.”
Para discutir essa questão, no fim do ano, o Departamento Científico de Neuroimunologia da ABN e o Comitê Brasileiro de Tratamento e Pesquisa em Esclerose Múltipla (BCTRIMS) debateram, durante audiência pública no Ministério da Saúde, a importância do diagnóstico precoce e os critérios atuais para a escolha dos tratamentos. A expectativa é que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) avance com a proposta de atualizar o PCDT/SUS e integre novos medicamentos e procedimentos que sejam benéficos para os pacientes, em conformidade com o desenvolvimento científico e tecnológico da área, e o torne mais flexível – permitindo que pacientes com EM de alta atividade tenham acesso a terapias mais potentes.
Impacto social – Para Sato, a esclerose múltipla tem um impacto que não se restringe somente ao paciente. “A doença atinge toda a família e a sociedade em geral. Já nos estágios iniciais, ela tira a qualidade de vida do indivíduo e reduz sua capacidade produtiva, o que abala também sua saúde emocional, além de gerar custos crescentes para todo o sistema de saúde se não for bem tratada desde o início.”
De acordo com o protocolo clínico de tratamento, a classificação da esclerose múltipla é feita por meio de uma escala que qualifica as incapacidades geradas pela evolução da doença – a Escala Expandida do Estado de Incapacidade de Kurtzke (EDSS). Essa escala estabelece o nível de comprometimento causado pela doença, que vai de zero, quando não há comprometimento neurológico, até 10 – o que se traduz pela morte do indivíduo. Quanto mais alto o índice na EDSS, maior é o custo desse tratamento, que abrange consultas médicas, reabilitação com diversos profissionais de saúde, até, nos casos avançados, internações hospitalares. “Esses são os custos diretos. Os indiretos estão relacionados a perda ou diminuição de salário, pensões por incapacidade ou invalidez, entre muitos outros. E também existem os intangíveis, relacionados à família de quem tem a doença, e se traduz por estresse, ansiedade, depressão…”
Há estudos americanos e europeus que mostram os valores gastos com a doença. Nos Estados Unidos, esse montante chega a mais de US$ 10 bilhões por ano. Já na Europa, o número é de aproximadamente € 14,6 bilhões. No Brasil, o custo total de medicamentos, entre 2006 e 2009, foi de cerca de R$ 360 milhões. No entanto, os gastos públicos gerados pelo tratamento aumentaram mais de sete vezes no mesmo período, chegando a mais de R$ 200 milhões.
“Temos de diagnosticar e prescrever o que é o mais adequado para o paciente de acordo com a atividade da doença, seu histórico médico e as terapias disponíveis. Isso inclui reconhecer que diferentes tratamentos podem ser eficazes para os distintos momentos dos pacientes e saber como integrá-los, quando necessário”, completa o especialista. E quanto maior o acerto menor a evolução da doença e a ampliação dos cuidados médicos, o que reflete em menor custo da doença por paciente tratado e em mais qualidade de vida e produtividade para o indivíduo.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já tem registrados nove diferentes medicamentos para o tratamento da esclerose múltipla. Seis deles estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Já a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), está atualmente discutindo seu rol de medicamentos, e a inclusão de tratamentos para esclerose múltipla faz parte do debate.
Fonte: Paran@shop

Remédio à base de maconha será comercializado no Brasil

À base de cannabis sativa, o remédio ganhou registro da Anvisa no Brasil. Ele é indicado para pacientes com esclerose múltipla.

Pela primeira vez, vai ser vendido no Brasil um remédio feito com substâncias derivadas da maconha. O medicamento é indicado para pacientes com esclerose múltipla.

A falta de força e o tremor no lado esquerdo do corpo são os sinas mais visíveis da esclerose múltipla, doença com a qual a Raquel Leal convive há nove anos: “É incerteza, né? Cada dia é um dia diferente. Hoje eu posso estar aqui, amanhã eu já posso estar sem ver, sem andar, então é complicado”.

O anúncio de que o primeiro remédio à base de cannabis sativa, a planta da maconha, ganhou registro da Anvisa no Brasil e pode começar a ser vendido nas farmácias é uma esperança para pacientes como Raquel, que sofrem com os sintomas da esclerose, doença que provoca lesões no cérebro e na medula. Entre os sintomas, está a rigidez de partes do corpo.

A venda será restrita e só poderá ser feita com receita médica, porque o remédio é tarja preta.

A medicação não é indicada para menores de 18 anos, porque não foram feitos testes de eficácia nesse grupo de pacientes, e é proibida para quem tem epilepsia, porque pode agravar a doença.

O registro da Anvisa não permite a produção do remédio no Brasil e o medicamento continuará tendo que ser importado, mas agora com menos burocracia, de acordo com Anvisa. Apenas uma empresa farmacêutica foi autorizada a fazer a importação e o preço que o remédio vai ser encontrado nas farmácias ainda não foi definido.

“Não é para tratamento da esclerose múltipla ou controle exatamente da doença, mas de sintomas que são basicamente a espassidade, a rigidez muscular e a dor muito intensa que decorre em alguns pacientes que desenvolvem esses sintomas e que tem a esclerose múltipla como base”, explica o neurologista Carlos Bernardotauil, da Academia Brasileira de Neurologia.

Fonte: Jornal Hoje

O que é, como descobrir, como tratar